CASES DE SUCESSO – MEDIA PORTAL

#01 – Jan.2017
por Fernando Moura, em Campinas (SP)

Há muito que as emissoras brasileiras estão digitalizando os seus workflows de produção e distribuição, apesar disso, ainda há quem conserve os seus arquivos nos suportes de captação original das imagens, como as antigas fitas-cassete. É neste momento de evolução tecnológica que empresas como a EPTV desenvolvem processos de digitalização total do seu acervo, com o objetivo de aumentar a durabilidade dos materiais e de facilitar o acesso a informações fundamentais à rotina do trabalho jornalístico.

O projeto de “gestão de acervo digital” da EPTV é desenvolvido em conjunto por engenheiros da emissora do interior de São Paulo e da Media Portal. O foco do trabalho é digitalizar o acervo da emissora, que começou a transmitir em 1979 com fitas de 1 polegada, cassetes Umatic, Betacam, DVCPro e XDCam – todos os suportes de gravação utilizados pela afiliada paulista da Rede Globo nestes trinta e sete anos.

Estima-se que o projeto de migração do acervo da EPTV se completará em seis anos, nos quais serão digitalizadas e catalogadas cerca de 18 Mil Fitas. A expectativa é de que esse acervo tangível se transforme em uma base de dados e, dessa forma, a emissora tenha o seu conteúdo totalmente virtualizado.

Claudio Ghiorzi, gerente de desenvolvimento tecnológico e operacional da EPTV

Claudio Ghiorzi, gerente de desenvolvimento tecnológico e operacional da EPTV

Na EPTV somos lineares há muito tempo, há muito que nosso workflow é digital, mas agora estamos dando mais um passo. No novo MAM, e o que estamos usando agora, guardamos só conteúdos editados ‘clean feed’. Hoje, já não guardamos jornais na íntegra, como era feito inicialmente, digitalizamos apenas as matérias exibidas”, explicou Claudio Roberto Ghiorzi, gerente de desenvolvimento tecnológico e operacional da emissora, à reportagem da Revista SET.

“O mais importante do processo é a mudança de paradigma no arquivamento de conteúdos”

O processo, detalhou Fábio Tsuzuki, CEO da Media Portal, teve várias etapas e acabou com a instauração de um procedimento comum para todas as praças da emissora, com “padronização de nomes e a integração, após a criação, de um dicionário controlado que incluímos no sistema. O grande impacto da implantação desse dicionário foi a criação de um padrão para a inclusão do nome das pessoas, sobretudo nos nomes estrangeiros, para evitar erros e assim padronizar os nomes, dando um ganho importante”.

“De todo o processo, o mais importante é a catalogação da base de da dos. Estamos criando um arquivo em função de um grupo de práticas. Essa catalogação está sendo relativamente simples, porque o trabalho prévio do nosso CEDOC era muito bom e mantinha uma base ordenada e com uma metodologia comum a todas as praças”, explicou Giulio Junqueira Breviglieri, gerente de operação e manutenção da EPTV. “Tivemos de migrar a base de dados de cada uma das praças da emissora. Foi um processo difícil, mas que avançou bem”.

Um projeto deste tipo “não trabalha com inovação. Se trabalha com ideias que levam a inovação”

Fabio Tsuzuki, CEO Media Portal

Fabio Tsuzuki, CEO Media Portal

Infraestrutura

A emissora e a integradora estão implantando um acervo composto por três (3) servidores IBM modelo x3650M3 e três (3) chassis de storage modelo Storwize v7000 com capacidade de 60TB nominal.

A capacidade, explicou Tsuzuki, foi dimensionada para acomodar dois anos de acervo jornalístico com qualidade HD (35Mbps) e replicação de conteúdo em pelo menos dois chassis. “Essa replicação existe para dar uma garantia de continuidade da operação caso um dos chassis tenha uma pane. Em caso de pane de um disco do storage, existem vários mecanismos de proteção. Um deles é que, se um dos servidores tenha alguma pane, os outros dois servidores continuam operando o sistema e mantendo a continuidade da operação”.

Giulio Breviglieri, gerente de operação e manutenção da EPTV

Giulio Breviglieri, gerente de operação e manutenção da EPTV

Os engenheiros explicaram à Revista da SET que através da tecnologia de virtualização da VMWare foram criadas as máquinas virtuais para cada serviço do Media Portal: VM para banco de dados, dois VMs para gestão da robótica, um VM para distribuição de baixa resolução, um VM para aplicação web, um VM para handler (gerenciador de fluxos de arquivos).

O projeto conta com duas robóticas, uma Qualstar modelo RLS-8500 com quatro (4) drives LTO-5 e 54 slots, com possibilidade de expandir até 114 slots, e ainda permitir que se empilhem até quatro robóticas, chegando a 474 slots e 22 drives. Cada cartucho LTO-5 tem a capacidade de armazenamento de 1.5TB, considerando o acervo de vídeos.

A outra robótica é da Sony, modelo ODS-L30M com dois (2) drives e 30 slots com possibilidade de empilhar até cinco (5) módulos chegando a 535 slots. Cada cartucho ODA tem a capacidade de armazenamento de 1.5TB, equivalente a LTO-5. “Estas robóticas foram dimensionadas de forma a acomodar todo o acervo legado da EPTV, 37 anos de acervo legado e o acervo novo que será formado por mais cinco (5) anos de operação”, explicou Tsuzuki.

“Queríamos perpetuar o acervo, mas não tínhamos no início do projeto como mensurar o que isso implicava em termos de conteúdos, investimento e tempo para a digitalização completa”

Rosalvo Carvalho, diretor da Videodata, integradora participante do processo de implantação, afirmou que este projeto é muito importante porque “dá continuidade aos processos de integração e de inovação tecnológica que, com o apoio da Sony Brasil, a empresa teve acesso aos executivos responsáveis do Optical Disc Archive(ODA) no Atsugi Technology Center da Sony do Japão, o que permitiu que a Sony pudesse homologar a Media Portal na operação com Drives e Robóticas.

A Media Portal passou a ser a primeira empresa da América Latina a estar certificada pela Sony para integrar e comandar Drives e Robóticas ODA, além de também poder operar com Drives e Robóticas LTO simultaneamente. E o caso da EPTV mostra que o sistema funciona, os testes com o ODA foram realizados com sucesso”.

Claudio Ghiorzi afirma que um dos principais objetivos do processo é ter um MAM que permita um acesso fácil e unificado. “Não importa em que fase o processo esteja, precisamos saber exatamente onde estamos. Hoje, trabalhamos em duas frentes. Todo o material novo é incluído no MAM e, gradativamente, vamos incluindo o acervo nesse processo, tudo porque conseguimos desenhar um sistema adaptável ao fluxo anterior de trabalho”.

Reportagem extraida da Revista da SET – edição 162 – Agosto 2016 – Texto e fotos por Fernando Moura