Com digitalização de arquivos de programas e investimentos em equipamentos, a TV Cultura se prepara para o início da transmissão digital

Acabar com o gasto anual de R$ 100 mil em fitas cassetes. A iniciativa foi uma preparação para o início da transmissão digital a partir de dois de dezembro de 2007. Cerca de 80% dos equipamentos analógicos da emissora, que datam da década de 1990, serão substituídos. “A digitalização é uma questão de sobrevivência”, afirma o engenheiro-técnico da TV Cultura, José Chaves. De acordo com ele, os produtos analógicos não são encontrados no mercado há mais de dez anos. Recuperar os materiais mais antigos da emissora e fornecer mais recursos para a produção foram alguns dos objetivos do projeto.

Em 2005, a equipe de tecnologia da informação da TV Cultura levantou quais seriam as necessidades, os investimentos, a mão-de-obra e o treinamento para adaptar a TV de São Paulo à realidade digital. Do total de 26 pessoas do departamento de TI, 15 profissionais passaram a dedicar-se exclusivamente à iniciativa. O próprio Chaves ingressou na TV Cultura, há dois anos, especialmente para comandar este projeto. Ele conta que foi o responsável pela digitalização da Rede Globo de Televisão.

De acordo com Chaves, as imagens já são capturadas com câmeras de autodefinição e, em seguida, estas produções são armazenadas em servidores de vídeo para, pela rede, serem enviadas para a edição não-linear. Ao final da edição, porém, as produções ainda voltam para as fitas para serem transmitidas – um processo que se encerrará com o início das transmissões da TV digital.

Todos os programas educativos, de entrevistas e os telejornais passarão por uma fita de microtransmissão digital e as novas antenas darão conta da transmissão digital. Para isto, foram investidos R$ 5,5 milhões em infra-estrutura e mais US$ 4,5 milhões em equipamentos, comprados da Thompson Grass Valley. O contrato com a fabricante incluiu também treinamento de seis funcionários da emissora na sede da Thompson nos Estados Unidos. Por enquanto, do total de oito mil horas de gravações que a televisão tem como meta digitalizar, quatro mil horas está pronta.

Infraestrutura

Toda esta mudança na TV Cultura teve um reflexo direto na TI da emissora, que preparou o ambiente tecnológico para os novos servidores de vídeo e dados, armazenamento e rede para comportar o alto tráfego de dados e software específico. Do total de toda a verba investida, 15% destinou-se a gastos com uma nova infra-estrutura, que incluiu mobiliários, sistema de ar-condicionado e cabeamento.

Outro aspecto diz respeito às mudanças no sistema de busca e pesquisa do acervo já digitalizado. O sistema de armazenamento de vídeos da Sony (CATTD) está sendo substituído pelo da Media Portal. “A principal necessidade foi a qualidade dos vídeos. Estamos nos aprimorando”, revela Chaves. “São arquivos grandes e de difícil gerenciamento”, avalia o responsável pela implementação deste sistema, Fabio Tsuzuki.

A resolução de um vídeo pode variar entre 25 megabits por segundo (Mbps) e 50 megabits por segundo (Mbps). Para esta solução, foi necessário implantar uma rede segregada corporativa para que os vídeos de alta resolução pudessem ser trafegados e foram necessárias ainda aquisições de servidores, storages e equipamento para gestão da nova rede constituída.

O processo de armazenamento do Media Portal é dividido em três etapas, que integram o cadastro do vídeo, sua digitalização – realizada em equipamentos capazes de oferecer uma qualidade compatível para broadcast – e eventual edição. O arquivo é associado à sua ficha e, automaticamente, é migrado para as áreas de armazenamento gerenciadas pelo programa. Estas áreas são constituídas de discos e fitas de dados da Linear Tape-Open (LTO), tecnologia para a solução de armazenamento externo aos servidores de capacidade limitada e para backups.

Uma vez arquivado na fita LTO, o Media Portal produz um arquivo de baixa resolução, permitindo que qualquer funcionário da emissora pesquise sobre o acervo, que possui, até o momento, dois mil títulos cadastrados. Este processo elimina o transporte de fitas, além de permitir que o funcionário acesse o conteúdo digitalizado por meio da intranet. Distribuição interna, no entanto, é um limite que o engenheiro-técnico da TV Cultura pretende ultrapassar. Um dos objetivos de Chaves é a interatividade remota. “Por meio de broadcast, o telespectador poderá escolher o que quer assistir entre opções de um conteúdo exclusivamente cultural”, explica.

(fonte: InformationWeek – 07/12/2007)