Em seu livro A Cauda Longa (Campus/Elsevier), Chris Anderson aponta para a formação de uma nova cultura. De forma bastante simples e direta designou esta nova cultura como sendo a cultura dos não-hits em contraposição com a cultura vigente, a cultura dos hits.

A geração atual foi formada e educada na cultura de hits e a nova geração está se formando na nova cultura, a cultura dos não hits.

Nós sabemos os álbuns mais vendidos, as músicas mais tocadas, as bilheterias de sucesso e aquilo que a mídia coloca como sendo o hit. Hoje em dia esse conceito já é bem diferente afinal muitas limitações foram ultrapassadas e em particular a redução dos custos para alcançar os nichos. Geralmente a redução dos custos se deve a três forças (que se traduzem em uma determinada curva de consumo, a curva da paretto, simplificadamente designada por cauda):

  • a democratização das ferramentas de produção (o que alonga a cauda),
  • a democratização das ferramentas de distribuição (o que horizontaliza a curva, pois aumenta a demanda pelos nichos) e
  • a ligação entre a oferta e a demanda (o que desloca os negócios dos hits para os nichos).

São conceitos que estão associados práticas ecologicamente corretas pois temos um modelo global que necessita de menos energia e matéria prima para funcionar e operar, neste modelo a distância entre o produtor e o consumidor diminui muito comparado com aquele existente na cultura de hits.

O produto Media Portal está inserido nesta nova cultura de não-hits pois uma de suas grandes características é a possibilidade de eliminar a necessidade de usar fitas de vídeo tradicionais. Em seu lugar são utilizadas as fitas de dados que são muito mais compactas e econômicas (devido a sua maior densidade para armazenamento de conteúdo) e a distribuição de conteúdo passa a ser feita digitalmente. Esta mudança se traduz em reduções no espaço físico ocupado pelo acervo (podendo chegar em reduções de até 60 vezes), e ainda reduz o gasto na conservação do acervo pois ao ocupar um espaço reduzido o custo de refrigeração também é reduzido (menos energia é necessária para conservar o acervo). Outra redução importante é aquela relacionada com o tráfego das fitas que praticamente deixa de existir e então temos um novo tráfego virtual. Tornando muito claro que menos material é transportado fisicamente.

Estamos desenvolvendo um conceito de dicionário que possa ser aplicado para facilitar a recuperação de material. Neste caso também estaremos fortalecendo a ligação ente oferta e demanda promovendo ainda mais a nova cultura que está em seu alvorescer: a cultura dos não-hits. A Amazon (http://www.amazon.com) usa um outro conceito de indexação que é inovador: “quem comprou tal item também comprou estes outros itens”, este conceito é muito prático e de forma geral conduz o consumidor a conhecer outros itens ainda desconhecidos mas de grande interesse. De fato o ato de comprar tem um sentido muito interessante que estabelece uma forte correlação enter os itens adquiridos. Este é um tipo de indexação que devemos adotar quando trabalhamos com acervos digitalizados.

Associada a esta nova cultura temos novos conceitos de trabalho tais como marketing viral, multi-programação de televisão, e percebemos que existe uma demanda cada vez maior de gerenciamento de conteúdo para que os itens do acervo seja adequadamente distribuídos. O Media Portal já possui uma grande quantidade de funcionalidades que apóiam este tipo de trabalho pois tem um forte foco em gerenciamento de conteúdo e recursos de infra-estrutura para armazenamento e distribuição de conteúdo.

Referência:

Cauda Longa – Blog do Carlos Sena 11/05/2007

Íntegra da entrevista com Chris Anderson – Revista Época – 01/09/2006

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